A árvore, os frutos e os espinhos #contos 

Em um campo por onde passavam diversos caminhos existia uma linda árvore de frutos misteriosos e flores de pétalas encantadoras. Muitos que por ali caminhavam nem notavam sua presença, estavam sempre com muita pressa… não enxergavam nada a sua volta. 

Certo dia, uma pétala da flor da árvore caiu sobre os olhos de alguém que passava por ali – mais um daqueles que nem notavam sua presença. Ele segurou a pétala e a observou, sentiu sua textura macia e sedosa, seu cheiro doce e inebriante. 

Ao parar e sentir a beleza que existia naquela simples pétala, esse alguém observou a sua volta com calma, e percebeu que o único lugar de onde ela poderia ter vindo era daquela árvore. 

Admirado, ele contemplou todo o encanto que aquela árvore transmitia. Não era só bela, ela emanava sentimentos bons e parecia carregar em si muita sabedoria e energia vital. 

Esse alguém decidiu então cuidar daquela árvore: regar, adubar e recolher as folhas, flores e frutos que caíam sobre suas raízes. Porém, ela não deixava. Sempre que ele tentava se aproximar, as raízes formavam uma barreira e o atacavam, e o feriam. 

Foram muitas tentativas até que ele decidiu desistir. Foi então que, caminhando lentamente, apareceu uma velha senhora que observava tudo desde o princípio. Ela via esse alguém desanimado e inconformado que tentava entender o que estava acontecendo. Por que aquela árvore rejeitava e atacava toda demonstração de cuidado e admiração? 

A senhora tocou seus ombros e contou uma breve história sobre aquela árvore, que ela vira crescer por muito tempo. E nesse muito tempo, disse ela, aquela árvore sofreu ataques: roubaram seus frutos, arrancaram suas pétalas e tentaram derrubar seu caule. 

Sua natureza precisou agir para se defender dessas agressões, então suas raízes formaram um escudo. Mas esse escudo não apenas repelia ataques, também atacava com espinhos para se defender… tudo e todos eram uma ameaça, não importavam as intenções, se boas ou más. 

Aquele alguém ouviu com tristeza e angústia toda a história. A admiração que nutria pela árvore não deixou de existir, mas não podia fazer nada que ela não permitisse. Só lhe restava contemplar e respeitar sua natureza, de longe. Afinal, os espinhos não fizeram com que aquela árvore deixasse de ser bela e encantadora. 

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