Cinco palavras simples e uma interrogação que transforma essa questão em um incomensurável problema. Um debate e – por que não? – um embate filosófico acalorado que transpassa séculos, sem que ninguém tenha chegado a uma resposta aceita por toda a comunidade.
É claro que a questão sobre o que é a vida só se torna um grande problema na cabeça de filósofos ou teólogos de plantão, afinal, fazer esse tipo de pergunta e especular respostas e hipóteses metódica e logicamente faz parte da sua atividade fim… não se poderia esperar menos.
Para as pessoas que estão vivendo a vida aqui e agora, pensar acerca dela, ou melhor, supor uma definição para ela, pode parecer perda de tempo, ou sequer seja uma questão que passe pela cabeça. Pensar sobre a vida aqui e agora não se trata de divagar o que ela é, mas de resolver problemas práticos e cotidianos, ou seja, “como viver?” (aí vamos entrar no campo da ética, portanto, filosófica também, mas vamos brincar mais um pouquinho com a vida e deixar isso para depois).
Vamos filosofar um pouco, fazer essa experiência e tentar deixar os outros filósofos no chinelo. Até porque nenhum deles convenceu até agora, então temos esse direito… de divagar… navegar em mares cheios desses tubarões e, com certeza, eles vão nos engolir.
Também existe a possibilidade de que todos eles estejam certos, mesmo que se contradigam. Cada um pode ter contribuído com um pedacinho da resposta… e é aqui que entramos nesse caminho tortuoso, sem o compromisso de ter razão, apenas um exercício de raciocínio.
Respostas contraditórias sobre uma determinada pergunta indicam uma relação, na verdade, muitas relações. Frases são relações entre palavras que fazem algum sentido. Frases que se relacionam com ideias que alguém teve. Ideias que surgem na cabeça de alguém quando entra em contato com algo ou alguém exterior a si… diferente de si.
A repetição da palavra “relação” indica a tendência da divagação… A vida é a dinâmica das relações dos seres consigo mesmos e com os outros, ou seja, tudo se relaciona internamente e externamente. E esse movimento de troca interna e externa entre tudo e todos é que geram transformações, evoluções, invenções, etc.
Seres concretos se relacionam internamente, por exemplo, com a formação e movimentação de átomos que se transformam quando se relacionam externamente com outra fonte de energia. O gelo que derrete quando a luz do sol aquece (movimenta) as moléculas de água… isso é a vida.
Seres vivos que se relacionam internamente com seus órgãos complexos e células que permitem seu crescimento e desenvolvimento através da relação com fontes externas de alimento que garantem sua subsistência. Abelhas que coletam néctar das flores para produzir mel e transportam o pólen que garantem a reprodução dessas flores… isso é a vida.
Seres humanos, esse conteúdo psicossomático, que se relacionam organicamente com o todo da natureza, também se relacionam entre si – externamente – formando um corpo social, familiar e comunitário (a sociedade e suas implicações), e também internamente de forma mental ou psicológica com seus dilemas e suas angústias. Além daquela paradoxal relação que consegue ser interna e externa concomitantemente: o transcendente.
Isso é a vida… filosoficamente falando… ou não.